ISSN- 1980-8372

REVISTA ELETRÔNICA ESTUDOS HEGELIANOS

Revista Semestral do Sociedade Hegel Brasileira - SHB

Ano 2º - N.º 03 Dezembro de 2005

 

 

 

 

Que significa dizer em Hegel “Philosophie ihre Zeit in Gedanken erfasst”?[1]

Prof. Dr. Pedro Geraldo Aparecido Novelli (UNESP - Brasil)[2]

 

Resumo: Hegel representa um marco na história da filosofia pela sua postura reconciliadora em relação às dicotomias construídas na história como, por exemplo, entre sujeito e objeto, razão e sentidos, pensar e ser, etc. No presente texto se considera a separação entre filosofia e mundo e qual é a abordagem hegeliana a respeito da mesma. Para Hegel, a filosofia não se antecipa ao mundo que é seu pressuposto, mas, que, por sua vez, somente é posto pela filosofia. Da relação pretendida, por Hegel, entre a filosofia e o mundo deriva a compreensão de filosofia e de seu papel. A própria filosofia resulta de uma escolha histórica que se define enquanto tal por sujeitos em determinadas situações. Assim, embora o mundo não seja compreendido unicamente pela filosofia, ele não pode ser adequadamente compreendido senão filosoficamente. É no mundo que a filosofia se encontra e, segundo Hegel, o mundo também deve ser encontrado na filosofia. Caso contrário, a filosofia não passará de mero diletantismo intelectual que no máximo servirá para entreter o pensar. Por isso, a filosofia não é apenas uma reprodução do mundo no pensar, mas é a compreensão do mundo como atividade humana vista na sua totalidade, ou seja, no pensamento.

 

Palavras-chaves: tempo, significado, Hegel

 

Abstract: Hegel is a reference in the history of philosophy due to his position towards the dichotomies, as for instance, between subject and object, reason and senses, thinking and being, etc. It is considered in this text the separation between philosophy and world and also Hegel’s approach about it. For Hegel philosophy does not come before the world but it has the world as its previous condition insofar as the philosophy itself sets it. From the relationship between the philosophy and  the world springs out Hegel’s conception of philosophy and its role. Philosophy itself comes out of a historical choice that is made by subjects in certain situations. The world is not only understood through philosophy but it can only properly understood philosophically. It is in the world that philosophy is to be found and according to Hegel the world must also be found in the philosophy. Otherwise philosophy will not be more than an intellectual amusement to distract thinking. Philosophy is not only a reproduction of the world in thinking but it is mainly the effort to understand the world as human activity in its totality, i.e., in thinking.    

 

Keywords: time, meaning, Hegel

                                                            I

 

   Evidencia-se nos escritos de Hegel seu constante interesse pelo que acontece no mundo. Em particular Hegel teve sua atenção atraída pelos acontecimentos do presente. Do período de Iena pode-se citar a afirmação hegeliana de que a leitura dos jornais “é uma benção matinal”.[3] Sua filosofia não se desenvolve separadamente dos acontecimentos de sua época. A própria exposição das categorias em sua “Ciência da Lógica” pretende ser a exposição das categorias do próprio real. Na medida em que Hegel se detém de forma singular sobre os acontecimentos de seu cotidiano depreende-se, daí, sua concepção de filosofia enquanto abertura para o mundo e até mesmo de uma convergência entre o emprego acadêmico e mundano da mesma. Em momento singular “Os Princípios da Filosofia do Direito” aproximam a filosofia como compreensão ‘do que é’ da necessidade de ser ‘seu tempo expresso no pensamento’. A respeito disso escreve Habermas:

 

“Na medida em que Hegel elevou a história da atualidade ao nível filosófico, ele reuniu o eterno ao transitório, o intemporal ao atual e com isso alterou o caráter insólito da filosofia.”[4]

 

   Se é evidente em Hegel o envolvimento da filosofia com as questões do mundo, então cabe perguntar que tipo de envolvimento seria este. O que significa ‘erfassen’, compreender, agarrar o mundo no pensamento? Pensar o mundo significa tomá-lo como objeto primeiro e central da filosofia? Pensar é pensar o mundo? E pensar o mundo seria operar uma descrição acurada e crítica do que acontece nele? E por que pensar o mundo? Por que trazê-lo ao nível do pensamento?

   Essas questões se permitem responder em Hegel segundo suas relações com as filosofias que o antecederam e nos conceitos centrais de sua filosofia como, por exemplo, pela sua concepção de história, e em conceitos não muito explorados, mas não menos significativos, como sua compreensão de educação.

   A história, em Hegel, não é uma mera sucessão de fatos nem tão somente o desvelamento de algo previamente estabelecido. A história é o resultado da ação humana nas relações que os homens travam uns com os outros. Ela não pode ser o que é sem a intervenção humana, posto que, essencialmente, ela somente é agir humano. A história não se desenvolve de forma indeterminada nem de qualquer modo, pois sempre resulta do que intencionalmente é pensado que, no entanto, não significa dizer, sempre e necessariamente ser caracterizada pela plena consciência sobre o que é feito. Dessa forma, os objetivos programados não são sempre alcançados e quando o são, nem sempre tranqüilamente porque a história não se reduz à uma execução nem mecânica nem automática. Além do mais os diversos objetivos programados podem sempre ser conflitantes. A história é o palco no qual se desenrola a totalidade do drama humano que se afirma e se nega o tempo todo. É na história que toda realização ocorre. É esse o âmbito do vir a ser ou do que se manifesta e precisa se manifestar para ser. Para Hegel pensar a história é pensar o próprio homem enquanto realidade que, somente pela sua objetivação, pode ser considerado verdadeiramente, isto é, na sua realidade efetiva. Não se trata de se reduzir ao que se tem, mas de reconhecer o que se tem para que mais do que isso possa ser pensado ou almejado. Hegel aponta que pretender mais do que o atual significa assumir esse mesmo atual como o local de ação. Contudo, ele reconhece que em seu tempo o almejado e pretendido se dissociou do atual ou do vigente buscando refúgio numa realidade artificial e, assim, estabelecendo um existir marcadamente abstrato. É essa a tendência que Hegel também identifica na pedagogia de sua época, segundo a qual o aluno deveria ser educado sendo protegido de todas as contaminações advindas do mundo. O ideal de uma nova humanidade, pura e ilibada, era pretendido pelo afastamento em relação aos acontecimentos mundanos. O paraíso seria construído no mundo, mas não encontrado no mundo.

 

“O direito que os indivíduos têm de estar subjetivamente destinados à liberdade satisfaz-se quando eles pertencem a uma realidade moral objetiva. Com efeito, é numa tal objetividade que reside a verdade da certeza da sua liberdade e na realidade moral possuem eles realmente a sua essência própria, a sua íntima universalidade.”[5]

 

   Conforme o próprio Hegel acrescenta sobre o parágrafo acima, uma criança será bem educada se pertencer a um estado com boas leis. É no mundo que se tem que se vive e não no desejado. É no mundo que se tem que o mundo desejado se realiza. Estar inserido no mundo que se tem é a primeira condição para alterá-lo. Um novo mundo confirma sempre o mundo que se tem em relação ao mundo que se quer. A simples negação do que se tem em benefício do que se quer revela o desconhecimento da autoria do que se tem. O mundo não é senão o que os sujeitos fazem dele ou como o querem.

 

“Cada um quer e opina ser melhor do que seu mundo. Quem é melhor somente expressa seu mundo melhor do que os outros.”[6]    

 

   Iludem-se os sujeitos quando não se reconhecem no mundo, pois ingenuamente se postam como vítimas do que experimentam. Tomam o mundo tão somente como ação imposta de uns sobre os outros. Jamais assumem a aceitação do que lhes é imposto. Não percebem que aceitar a imposição é também confirmar que operam sobre o mundo e sua forma. Não se podem desconhecer os condicionamentos que advém do fato de se estar junto ou numa coletividade no mundo. Não se pode pretender  estar isento do que acontece, pois a própria isenção pretendida não é intuição de um sujeito desvinculado do que lhe sucede. Em outras palavras, o sujeito experimenta a sujeição à ordem estabelecida e, é precisamente por isso, que ele é movido ao desejo pelo diferente, pela outra possibilidade. O espírito de uma época é o espírito de todos os homens dessa época e todos os homens, mesmo que não queiram participam desse espírito e são por ele formados. Por isso, não se torna difícil determinar as fontes do que se identifica pelo desejo de algo melhor, posto que o próprio tempo ou o mundo que se tem não somente predispõe para sua superação, mas também instiga os indivíduos, dando-lhes condições, para a concepção do melhor. Então, estar inserido no mundo possibilita sua superação para que, novamente, se retorne a ele, mas não mais como antes. O mundo, daí, é, de fato, melhor e renovado.

 

                                                          II

 

   Muito embora a inserção no mundo seja necessária, Hegel não se rende incondicionalmente a tal perspectiva, pois não se trata de exaltar indiscriminadamente o mundo. A mera inserção na exterioridade absoluta não se traduz na crítica e reflexão que são imprescindíveis. Somente um afastamento da exterioridade ou um recolhimento do sujeito em si pode proporcionar a necessária e adequada compreensão do próprio sujeito e de onde ele se encontra. Portanto, não interessa deixar-se arrastar pela correnteza do mundo sensível, mas identificar que se é arrastado ou se deixa arrastar, e se não se pode alterar o fato de ser arrastado, pelo menos saber para onde se é levado. Por conseguinte não se pode entender “o compreender o próprio tempo no pensamento” como um diagnóstico do tipo jornalístico nem como uma observação de um diário. A filosofia participa do próprio tempo e o pressupõe, mas tal pressuposição já é também um pressupor da própria filosofia. A filosofia e seu tempo se põem concomitantemente. Porém, isso não significa que a filosofia seja o centro de seu tempo, mas o centro somente pode ser claramente manifestado filosoficamente. A filosofia pode ser tomada como a autoconsciência genuína do tempo, mas uma afirmação como esta somente o tempo pode realizar, pois se a filosofia não se antecipa ao seu próprio tempo, ela não pode postular sua auto-afirmação. Da perspectiva hegeliana a filosofia não propõe orientações para o fazer de um tempo, mas busca apreender as ditas orientações a partir do fazer de um tempo. Também não se trata de atribuir um sentido ao fazer de um tempo por parte da filosofia. De certa forma, sempre há um sentido presente no fazer embora nem sempre reconhecido. Por isso, a filosofia hegeliana rejeita a abordagem metafísica que reduz e confirma o fazer segundo seus postulados. Aqui a metafísica se anteciparia ao fazer de modo a confirmá-lo ou não. O fazer de um tempo deveria pautar-se por uma verdade que o transcenderia. O tempo seria determinado pela verdade e não participaria de sua determinação. Entretanto, para Hegel não se pode descartar nem a possibilidade nem o fato de que um tempo se reconheça metafisicamente, pois a assunção da metafísica como referência primeira é a posição que um tempo pode assumir. O que isso tudo revela, segundo Hegel, é que cada tempo é absolutamente inteligível, não sendo nem acidental nem contingente. Cada tempo ou época não é uma má singularidade. A inteligibilidade não é dada ao tempo, mas este é a própria inteligibilidade. Um tempo não é mero receptáculo do inteligível, mas é momento dele.    

   Apesar de sua inteligibilidade um tempo não se restringe somente a isso, mas também se expressa nas formas da sensibilidade como Kant já havia demonstrado. As formas inteligíveis não se determinam senão pelas formas do sensível. O passo adiante, dado por Hegel, é a sua compreensão filosófica no conceito de espírito objetivo, segundo o qual o inteligível se afirma no sensível e vice-versa. Dessa forma, Hegel supera a dicotomia razão-mundo pondo o sustento de um no outro.    

   Não é por acaso que a frase “Philosophie ihre Zeit in Gedanken erfasst”[7] encontra-se nos “Princípios da Filosofia do Direito” A filosofia vê o próprio tempo como manifestação do espírito objetivo tendo como uma de suas expressões na configuração do direito, isto é, no como os homens têm organizado sua existência em comum. Com o direito determina-se como a realidade de uma vida em comum se efetiva. O modo como Hegel compreende o direito torna-o singular diante de seus antecessores e até mesmo diante de seus contemporâneos. Todas as  filosofias que precederam a filosofia hegeliana esforçaram-se por ser também um esclarecimento para seus respectivos tempos, mas entendiam trazer a luz de fora, de um ‘topós’ que transcendia os tempos. Para Hegel isso se fez possível porque cada tempo se reconhecia nessa perspectiva e assim ela obtinha sua efetividade. Se com isso a verdade de um tempo era afirmada, afirmava-se muito mais a verdade para um dado tempo. A partir dessa conotação a verdade pode ser entendida como algo que um tempo apreende. Já, em Hegel, a verdade não se encontra fora do mundo, mas no mundo propriamente dito e tanto mais é encontrada e reconhecida quanto mais se está no mundo. A verdade é o focar o eixo no qual o mundo gira ou a explicação da mediação pela qual ele vive. É no movimento do mundo e na sua vida que a verdade se forma. Tanto no movimento quanto na vida a primazia de um aspecto não anula a pluralidade que os constitui. O aspecto predominante apresenta-se como a verdade predominante. Não sem razão manifesta-se Hegel na “Fenomenologia do Espírito” sobre uma pluralidade de verdades que estão sempre em constante relação entre si. Assim, o conceito de verdade precisa ser entendido e visto dialeticamente em si mesmo. A verdade não é, portanto, algo, mas uma relação. A razão não se afasta do mundo para trazer-lhe posteriormente a verdade, mas mergulha no mundo e quanto mais está nele tanto mais se reconhece. Se um tempo se opõe à razão, se resiste à ela, ele não se torna por isso inascessível, mas posta-se como um desafio à razão que, por sua vez, não apreende seu tempo se não se entrega a ele.

 

“Pensar a via, essa é a tarefa. A consciência da vida pura seria a consciência do que o homem é.”[8]

 

   “Pensar o próprio tempo” afirma o entrelaçamento entre a razão e seu tempo confirmado nos “Princípios da Filosofia do Direito” na discutida frase “O que é racional é real e o que é real é racional”.[9] A realidade da razão não pára diante dos portais da temporalidade. Muito embora a filosofia não se antecipe ao seu tempo ela também não se restringe a ele, ou seja, tendo sua efetividade no contexto de sua existência a filosofia não segue os ditames de seu tempo visto que sua perspectiva não é de se render ao dado tomando-o como o todo possível. A possibilidade da isenção da filosofia em relação ao seu tempo também tem suas raízes no próprio tempo, pois a filosofia é sempre atividade humana que não surge nem se desenvolve de forma automática. O filosofar é uma atitude que se põe de acordo com determinadas motivações e suas características também dependem das disposições do tempo. Trata-se de uma atitude localizada que, devido a isso, não se faz arbitrariamente, mas de forma determinada. A determinação pode sempre ser criticada, questionada, superada, porém não sem estabelecer novas determinações. A determinação é sempre real e, portanto, racional porque se trata de uma exposição do tempo numa configuração específica. O tempo em si, como categoria, não surge da lógica, mas da natureza na medida em que o Espírito se põe em confronto com o natural e define sua expressão. O que assume status de racionalidade não põe automaticamente a irracionalidade, pois também esta deriva da determinação do Espírito. A realidade é continuamente posta pelo sujeito e tal referência não implica que assim tudo deva ser, mas sim como a realidade deve ser compreendida. A realidade somente pode ser compreendida se situada no tempo, pois situá-la significa compreendê-la.

 

                                                          III

 

   Toda compreensão é necessariamente racional, mas não obrigatoriamente expressão do perfeito. O que é racional é real, mas jamais todo o real. A razão também pode  ser criticável em suas escolhas ou em sua recusa em escolher. O racional pode sempre pretender retornar ao natural, mas o que quer que faça tão somente o confirma, senão como o melhor, visto que também isso precisa ser determinado pela razão,   pelo menos, simplesmente, como o real. Conforme já mencionado o real que se tem não é a totalidade do que se pode ter, mas ao mesmo tempo é.

 

“Com efeito, a Coisa mesma não se esgota em seu fim, mas em sua atualização; nem o resultado é o todo efetivo, mas sim o resultado junto com o seu vir-a-ser.”[10]

 

Não é a totalidade porque na medida em que determina o real põe as condições para a sua superação ou para algo que vá além do apresentado. Por outro lado, o real encerra em si o todo possível por ser o todo que existe. Para lidar com uma realidade contraditória somente uma razão que partilhe dessa mesma contradição é viável. A contradição está na constituição da razão, pois esta se funda a partir do contexto de seu tempo, que, por sua vez, necessariamente padece igualmente da contradição. Se a razão brota do tempo no qual se encontra, então se deve perguntar qual razão deriva daí, pois um real contraditório implicaria em derivados contraditórios. Além disso, certamente outros tempos estão em gestação ou ao menos disputando suas efetividades. Por que tanto no caso da razão quanto do tempo há um predominante? Segundo Hegel, o predomínio não se deve ao fato do melhor se impor, mas sim do predominante ser posto como o melhor. Pôr o melhor significa determinar um interesse que se move pelos mais variados motivos. O critério central e talvez o único, em Hegel, para determinar o interesse é o da confirmação da liberdade. Na medida em que se interessa o homem afirma sua liberdade e, esta se efetiva, quando o interesse se expressa. Os interesses nem sempre coincidem o que redunda em manifestações contraditórias, isto é, todas confirmando o interesse, mas ao mesmo tempo o negando. Quando os interesses convergem, então o que se entende por melhor adquire expressão comum. Uma vez tenha se estabelecido o predomínio de um interesse ou de um conjunto destes, a conseqüência é a do ser que deve ser. Eis, então, o sentido da filosofia: compreender seu tempo no pensamento, isto é, expor o posto e daí poder esclarecer o dever (Pflicht) como um querer ser determinado. O dever (Pflicht) não é senão o predomínio de um interesse determinado que se põe como o interesse de todos. No entanto, Hegel sabe muito bem que a universalização de um interesse somente se dá através de sua institucionalização, ou seja, na medida em que se estabelece de forma singular. Além do mais a instituição determina a realização do interesse que, para ser garantido, ‘deve’ se efetivar segundo suas especificidades.

   O tempo compreendido no pensamento não somente é exposto, explicado, elucidado, mas é também direcionado, orientado, pois se toma consciência do que tem sido feito, escolhido e interessado seus autores. Os homens, sabedores de sua obra, podem assumir ou não o que lhes é predominantemente interessante, mas daí não podem deixar de reconhecer que o que quer que façam será sempre interesse dos mesmos. Conforme afirma Hegel na “Enciclopédia das Ciências Filosóficas” a filosofia tem como conteúdo a realidade da qual ela não pode pretender existir separadamente sob o preço de se tornar um juízo abstrato no qual tudo cabe e tudo pode ser dito, pois a realidade passa a ser tão somente uma contingência.[11] A identificação entre o pensar e o ser se mostra na relação entre a filosofia e o mundo que é, segundo Hegel, temida por muitos, pois temem com isso diminuir a filosofia ou condicioná-la. Para Hegel, a identificação é o critério único para demonstrar que a filosofia não se reduz a quimeras sobre o mundo e que este não é o campo do incompreensível. A filosofia não trabalha com um mundo dado, mas que se põe e, está ao alcance da filosofia, expor os motivos de um dado mundo posto.           

 

[1] Comunicação apresentada no II Congresso Internacional de Filosofia da Sociedade Hegel Brasileira com o apoio financeiro da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp – Fundunesp.

[2] Professor Assistente Doutor do Departamento de Educação do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu, 18610000 – Botucatu – SP, 14 – 38116232.

[3] Dokumente zu Hegels Entwicklung. Herausg. Von J. Hoffmeister. Bad Cannstatt: Stuttgart, 1974, S.360.

[4] J. Habermas. Der philosophische Diskurs der Moderne. Frankfurt am Main, 1985, S.65.

[5] G.W.F. Hegel. Grundlinien der Philosophie des Rechts. Werke in 20 Bänden. Red. Eva Moldenhauer und Karl Markus Michel. Frakfurt am nain: Suhrkamp, 1970, § 153.

[6] Dokumente zur Hegels Entwicklung. S.369.

[7] G.W.F. Hegel. Bd. 7, S.26 Vorrede.

[8] Hegels theologische Jungendschriften nach der Handschriften der Kgl. Bibliotek in Berlin. Herausg. Von H. Nohl, Franfurt am Main, 1991, S.429.

[9] G.W.F. Hegel. Bd. 7, S.24, Vorrede.

[10] G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Trad. Paulo Meneses. Vozes: Petrópolis, 1992, p.23.

[11] G.W.F. Hegel. Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaft. Werke in 20 Bänden. Herausg. Von Eva Moldenhauer und Karl Markus Michel. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1970, § 6.

 


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