Ano 2º - N.º 03 Dezembro de 2005
Que
significa dizer em Hegel “Philosophie ihre Zeit in Gedanken erfasst”?[1]
Resumo:
Hegel
representa um marco na história da filosofia pela sua postura reconciliadora em
relação às dicotomias construídas na história como, por exemplo, entre
sujeito e objeto, razão e sentidos, pensar e ser, etc. No presente texto se
considera a separação entre filosofia e mundo e qual é a abordagem hegeliana
a respeito da mesma. Para Hegel, a filosofia não se antecipa ao mundo que é
seu pressuposto, mas, que, por sua vez, somente é posto pela filosofia. Da relação
pretendida, por Hegel, entre a filosofia e o mundo deriva a compreensão de
filosofia e de seu papel. A própria filosofia resulta de uma escolha histórica
que se define enquanto tal por sujeitos em determinadas situações. Assim,
embora o mundo não seja compreendido unicamente pela filosofia, ele não pode
ser adequadamente compreendido senão filosoficamente. É no mundo que a
filosofia se encontra e, segundo Hegel, o mundo também deve ser encontrado na
filosofia. Caso contrário, a filosofia não passará de mero diletantismo
intelectual que no máximo servirá para entreter o pensar. Por isso, a
filosofia não é apenas uma reprodução do mundo no pensar, mas é a compreensão
do mundo como atividade humana vista na sua totalidade, ou seja, no pensamento.
Palavras-chaves:
tempo,
significado, Hegel
Abstract:
Hegel
is a reference in the history of philosophy due to his position towards the
dichotomies, as for instance, between subject and object, reason and senses,
thinking and being, etc. It is considered in this text the separation between
philosophy and world and also Hegel’s approach about it. For Hegel philosophy
does not come before the world but it has the world as its previous condition
insofar as the philosophy itself sets it. From the relationship between the
philosophy and
the world springs out Hegel’s conception of philosophy and its role.
Philosophy itself comes out of a historical choice that is made by subjects in
certain situations. The world is not only understood through philosophy but it
can only properly understood philosophically. It is in the world that philosophy
is to be found and according to Hegel the world must also be found in the
philosophy. Otherwise philosophy will not be more than an intellectual amusement
to distract thinking. Philosophy is not only a reproduction of the world in
thinking but it is mainly the effort to understand the world as human activity
in its totality, i.e., in thinking.
Keywords:
time,
meaning, Hegel
Evidencia-se nos escritos de Hegel seu constante
interesse pelo que acontece no mundo. Em particular Hegel teve sua atenção
atraída pelos acontecimentos do presente. Do período de Iena pode-se citar a
afirmação hegeliana de que a leitura dos jornais “é uma benção
matinal”.[3]
Sua filosofia não se desenvolve separadamente dos acontecimentos de sua época.
A própria exposição das categorias em sua “Ciência da Lógica” pretende
ser a exposição das categorias do próprio real. Na medida em que Hegel se detém
de forma singular sobre os acontecimentos de seu cotidiano depreende-se, daí,
sua concepção de filosofia enquanto abertura para o mundo e até mesmo de uma
convergência entre o emprego acadêmico e mundano da mesma. Em momento singular
“Os Princípios da Filosofia do Direito” aproximam a filosofia como
compreensão ‘do que é’ da necessidade de ser ‘seu tempo expresso no
pensamento’. A respeito disso escreve Habermas:
“Na
medida em que Hegel elevou a história da atualidade ao nível filosófico, ele
reuniu o eterno ao transitório, o intemporal ao atual e com isso alterou o caráter
insólito da filosofia.”[4]
Se é evidente em Hegel o envolvimento da filosofia com as questões do
mundo, então cabe perguntar que tipo de envolvimento seria este. O que
significa ‘erfassen’, compreender, agarrar o mundo no pensamento? Pensar o
mundo significa tomá-lo como objeto primeiro e central da filosofia? Pensar é
pensar o mundo? E pensar o mundo seria operar uma descrição acurada e crítica
do que acontece nele? E por que pensar o mundo? Por que trazê-lo ao nível do
pensamento?
Essas questões se permitem responder em Hegel segundo suas relações
com as filosofias que o antecederam e nos conceitos centrais de sua filosofia
como, por exemplo, pela sua concepção de história, e em conceitos não muito
explorados, mas não menos significativos, como sua compreensão de educação.
A
história, em Hegel, não é uma mera sucessão de fatos nem tão somente o
desvelamento de algo previamente estabelecido. A história é o resultado da ação
humana nas relações que os homens travam uns com os outros. Ela não pode ser
o que é sem a intervenção humana, posto que, essencialmente, ela somente é
agir humano. A história não se desenvolve de forma indeterminada nem de
qualquer modo, pois sempre resulta do que intencionalmente é pensado que, no
entanto, não significa dizer, sempre e necessariamente ser caracterizada pela
plena consciência sobre o que é feito. Dessa forma, os objetivos programados não
são sempre alcançados e quando o são, nem sempre tranqüilamente porque a
história não se reduz à uma execução nem mecânica nem automática. Além
do mais os diversos objetivos programados podem sempre ser conflitantes. A história
é o palco no qual se desenrola a totalidade do drama humano que se afirma e se
nega o tempo todo. É na história que toda realização ocorre. É esse o âmbito
do vir a ser ou do que se manifesta e precisa se manifestar para ser. Para Hegel
pensar a história é pensar o próprio homem enquanto realidade que, somente
pela sua objetivação, pode ser considerado verdadeiramente, isto é, na sua
realidade efetiva. Não se trata de se reduzir ao que se tem, mas de reconhecer
o que se tem para que mais do que isso possa ser pensado ou almejado. Hegel
aponta que pretender mais do que o atual significa assumir esse mesmo atual como
o local de ação. Contudo, ele reconhece que em seu tempo o almejado e
pretendido se dissociou do atual ou do vigente buscando refúgio numa realidade
artificial e, assim, estabelecendo um existir marcadamente abstrato. É essa a
tendência que Hegel também identifica na pedagogia de sua época, segundo a
qual o aluno deveria ser educado sendo protegido de todas as contaminações
advindas do mundo. O ideal de uma nova humanidade, pura e ilibada, era
pretendido pelo afastamento em relação aos acontecimentos mundanos. O paraíso
seria construído no mundo, mas não encontrado no mundo.
“O
direito que os indivíduos têm de estar subjetivamente destinados à liberdade
satisfaz-se quando eles pertencem a uma realidade moral objetiva. Com efeito, é
numa tal objetividade que reside a verdade da certeza da sua liberdade e na
realidade moral possuem eles realmente a sua essência própria, a sua íntima
universalidade.”[5]
Conforme o próprio Hegel acrescenta sobre o parágrafo
acima, uma criança será bem educada se pertencer a um estado com boas leis. É
no mundo que se tem que se vive e não no desejado. É no mundo que se tem que o
mundo desejado se realiza. Estar inserido no mundo que se tem é a primeira
condição para alterá-lo. Um novo mundo confirma sempre o mundo que se tem em
relação ao mundo que se quer. A simples negação do que se tem em benefício
do que se quer revela o desconhecimento da autoria do que se tem. O mundo não
é senão o que os sujeitos fazem dele ou como o querem.
“Cada
um quer e opina ser melhor do que seu mundo. Quem é melhor somente expressa seu
mundo melhor do que os outros.”[6]
Iludem-se os sujeitos quando não se reconhecem no
mundo, pois ingenuamente se postam como vítimas do que experimentam. Tomam o
mundo tão somente como ação imposta de uns sobre os outros. Jamais assumem a
aceitação do que lhes é imposto. Não percebem que aceitar a imposição é
também confirmar que operam sobre o mundo e sua forma. Não se podem
desconhecer os condicionamentos que advém do fato de se estar junto ou numa
coletividade no mundo. Não se pode pretender
estar isento do que acontece, pois a própria isenção pretendida não
é intuição de um sujeito desvinculado do que lhe sucede. Em outras palavras,
o sujeito experimenta a sujeição à ordem estabelecida e, é precisamente por
isso, que ele é movido ao desejo pelo diferente, pela outra possibilidade. O
espírito de uma época é o espírito de todos os homens dessa época e todos
os homens, mesmo que não queiram participam desse espírito e são por ele
formados. Por isso, não se torna difícil determinar as fontes do que se
identifica pelo desejo de algo melhor, posto que o próprio tempo ou o mundo que
se tem não somente predispõe para sua superação, mas também instiga os
indivíduos, dando-lhes condições, para a concepção do melhor. Então, estar
inserido no mundo possibilita sua superação para que, novamente, se retorne a
ele, mas não mais como antes. O mundo, daí, é, de fato, melhor e renovado.
II
Muito embora a inserção no mundo seja necessária,
Hegel não se rende incondicionalmente a tal perspectiva, pois não se trata de
exaltar indiscriminadamente o mundo. A mera inserção na exterioridade absoluta
não se traduz na crítica e reflexão que são imprescindíveis. Somente um
afastamento da exterioridade ou um recolhimento do sujeito em si pode
proporcionar a necessária e adequada compreensão do próprio sujeito e de onde
ele se encontra. Portanto, não interessa deixar-se arrastar pela correnteza do
mundo sensível, mas identificar que se é arrastado ou se deixa arrastar, e se
não se pode alterar o fato de ser arrastado, pelo menos saber para onde se é
levado. Por conseguinte não se pode entender “o compreender o próprio tempo
no pensamento” como um diagnóstico do tipo jornalístico nem como uma observação
de um diário. A filosofia participa do próprio tempo e o pressupõe, mas tal
pressuposição já é também um pressupor da própria filosofia. A filosofia e
seu tempo se põem concomitantemente. Porém, isso não significa que a
filosofia seja o centro de seu tempo, mas o centro somente pode ser claramente
manifestado filosoficamente. A filosofia pode ser tomada como a autoconsciência
genuína do tempo, mas uma afirmação como esta somente o tempo pode realizar,
pois se a filosofia não se antecipa ao seu próprio tempo, ela não pode
postular sua auto-afirmação. Da perspectiva hegeliana a filosofia não propõe
orientações para o fazer de um tempo, mas busca apreender as ditas orientações
a partir do fazer de um tempo. Também não se trata de atribuir um sentido ao
fazer de um tempo por parte da filosofia. De certa forma, sempre há um sentido
presente no fazer embora nem sempre reconhecido. Por isso, a filosofia hegeliana
rejeita a abordagem metafísica que reduz e confirma o fazer segundo seus
postulados. Aqui a metafísica se anteciparia ao fazer de modo a confirmá-lo ou
não. O fazer de um tempo deveria pautar-se por uma verdade que o transcenderia.
O tempo seria determinado pela verdade e não participaria de sua determinação.
Entretanto, para Hegel não se pode descartar nem a possibilidade nem o fato de
que um tempo se reconheça metafisicamente, pois a assunção da metafísica
como referência primeira é a posição que um tempo pode assumir. O que isso
tudo revela, segundo Hegel, é que cada tempo é absolutamente inteligível, não
sendo nem acidental nem contingente. Cada tempo ou época não é uma má
singularidade. A inteligibilidade não é dada ao tempo, mas este é a própria
inteligibilidade. Um tempo não é mero receptáculo do inteligível, mas é
momento dele.
Apesar de sua inteligibilidade um tempo não se
restringe somente a isso, mas também se expressa nas formas da sensibilidade
como Kant já havia demonstrado. As formas inteligíveis não se determinam senão
pelas formas do sensível. O passo adiante, dado por Hegel, é a sua compreensão
filosófica no conceito de espírito objetivo, segundo o qual o inteligível se
afirma no sensível e vice-versa. Dessa forma, Hegel supera a dicotomia razão-mundo
pondo o sustento de um no outro.
Não é por acaso que a frase “Philosophie ihre Zeit in Gedanken
erfasst”[7]
encontra-se nos “Princípios da Filosofia do Direito” A filosofia vê o próprio
tempo como manifestação do espírito objetivo tendo como uma de suas expressões
na configuração do direito, isto é, no como os homens têm organizado sua
existência em comum. Com o direito determina-se como a realidade de uma vida em
comum se efetiva. O modo como Hegel compreende o direito torna-o singular diante
de seus antecessores e até mesmo diante de seus contemporâneos. Todas as
filosofias que precederam a filosofia hegeliana esforçaram-se por ser
também um esclarecimento para seus respectivos tempos, mas entendiam trazer a
luz de fora, de um ‘topós’ que transcendia os tempos. Para Hegel isso se
fez possível porque cada tempo se reconhecia nessa perspectiva e assim ela
obtinha sua efetividade. Se com isso a verdade de um tempo era afirmada,
afirmava-se muito mais a verdade para um dado tempo. A partir dessa conotação
a verdade pode ser entendida como algo que um tempo apreende. Já, em Hegel, a
verdade não se encontra fora do mundo, mas no mundo propriamente dito e tanto
mais é encontrada e reconhecida quanto mais se está no mundo. A verdade é o
focar o eixo no qual o mundo gira ou a explicação da mediação pela qual ele
vive. É no movimento do mundo e na sua vida que a verdade se forma. Tanto no
movimento quanto na vida a primazia de um aspecto não anula a pluralidade que
os constitui. O aspecto predominante apresenta-se como a verdade predominante. Não
sem razão manifesta-se Hegel na “Fenomenologia do Espírito” sobre uma
pluralidade de verdades que estão sempre em constante relação entre si.
Assim, o conceito de verdade precisa ser entendido e visto dialeticamente em si
mesmo. A verdade não é, portanto, algo, mas uma relação. A razão não se
afasta do mundo para trazer-lhe posteriormente a verdade, mas mergulha no mundo
e quanto mais está nele tanto mais se reconhece. Se um tempo se opõe à razão,
se resiste à ela, ele não se torna por isso inascessível, mas posta-se como
um desafio à razão que, por sua vez, não apreende seu tempo se não se
entrega a ele.
“Pensar
a via, essa é a tarefa. A consciência da vida pura seria a consciência do que
o homem é.”[8]
“Pensar o próprio tempo” afirma o entrelaçamento entre a razão e
seu tempo confirmado nos “Princípios da Filosofia do Direito” na discutida
frase “O que é racional é real e o que é real é racional”.[9] A realidade da razão não
pára diante dos portais da temporalidade. Muito embora a filosofia não se
antecipe ao seu tempo ela também não se restringe a ele, ou seja, tendo sua
efetividade no contexto de sua existência a filosofia não segue os ditames de
seu tempo visto que sua perspectiva não é de se render ao dado tomando-o como
o todo possível. A possibilidade da isenção da filosofia em relação ao seu
tempo também tem suas raízes no próprio tempo, pois a filosofia é sempre
atividade humana que não surge nem se desenvolve de forma automática. O
filosofar é uma atitude que se põe de acordo com determinadas motivações e
suas características também dependem das disposições do tempo. Trata-se de
uma atitude localizada que, devido a isso, não se faz arbitrariamente, mas de
forma determinada. A determinação pode sempre ser criticada, questionada,
superada, porém não sem estabelecer novas determinações. A determinação é
sempre real e, portanto, racional porque se trata de uma exposição do tempo
numa configuração específica. O tempo em si, como categoria, não surge da lógica,
mas da natureza na medida em que o Espírito se põe em confronto com o natural
e define sua expressão. O que assume status de racionalidade não põe
automaticamente a irracionalidade, pois também esta deriva da determinação do
Espírito. A realidade é continuamente posta pelo sujeito e tal referência não
implica que assim tudo deva ser, mas sim como a realidade deve ser compreendida.
A realidade somente pode ser compreendida se situada no tempo, pois situá-la
significa compreendê-la.
III
Toda
compreensão é necessariamente racional, mas não obrigatoriamente expressão
do perfeito. O que é racional é real, mas jamais todo o real. A razão também
pode ser criticável em suas
escolhas ou em sua recusa em escolher. O racional pode sempre pretender retornar
ao natural, mas o que quer que faça tão somente o confirma, senão como o
melhor, visto que também isso precisa ser determinado pela razão, pelo menos, simplesmente, como o real. Conforme já
mencionado o real que se tem não é a totalidade do que se pode ter, mas ao
mesmo tempo é.
“Com
efeito, a Coisa mesma não se esgota em seu fim, mas em sua atualização; nem o
resultado é o todo efetivo, mas sim o resultado junto com o seu vir-a-ser.”[10]
Não é a totalidade porque na medida em que
determina o real põe as condições para a sua superação ou para algo que vá
além do apresentado. Por outro lado, o real encerra em si o todo possível por
ser o todo que existe. Para lidar com uma realidade contraditória somente uma
razão que partilhe dessa mesma contradição é viável. A contradição está
na constituição da razão, pois esta se funda a partir do contexto de seu
tempo, que, por sua vez, necessariamente padece igualmente da contradição. Se
a razão brota do tempo no qual se encontra, então se deve perguntar qual razão
deriva daí, pois um real contraditório implicaria em derivados contraditórios.
Além disso, certamente outros tempos estão em gestação ou ao menos
disputando suas efetividades. Por que tanto no caso da razão quanto do tempo há
um predominante? Segundo Hegel, o predomínio não se deve ao fato do melhor se
impor, mas sim do predominante ser posto como o melhor. Pôr o melhor significa
determinar um interesse que se move pelos mais variados motivos. O critério
central e talvez o único, em Hegel, para determinar o interesse é o da
confirmação da liberdade. Na medida em que se interessa o homem afirma sua
liberdade e, esta se efetiva, quando o interesse se expressa. Os interesses nem
sempre coincidem o que redunda em manifestações contraditórias, isto é,
todas confirmando o interesse, mas ao mesmo tempo o negando. Quando os
interesses convergem, então o que se entende por melhor adquire expressão
comum. Uma vez tenha se estabelecido o predomínio de um interesse ou de um
conjunto destes, a conseqüência é a do ser que deve ser. Eis, então, o
sentido da filosofia: compreender seu tempo no pensamento, isto é, expor o
posto e daí poder esclarecer o dever (Pflicht) como um querer ser determinado.
O dever (Pflicht) não é senão o predomínio de um interesse determinado que
se põe como o interesse de todos. No entanto, Hegel sabe muito bem que a
universalização de um interesse somente se dá através de sua
institucionalização, ou seja, na medida em que se estabelece de forma
singular. Além do mais a instituição determina a realização do interesse
que, para ser garantido, ‘deve’ se efetivar segundo suas especificidades.
O
tempo compreendido no pensamento não somente é exposto, explicado, elucidado,
mas é também direcionado, orientado, pois se toma consciência do que tem sido
feito, escolhido e interessado seus autores. Os homens, sabedores de sua obra,
podem assumir ou não o que lhes é predominantemente interessante, mas daí não
podem deixar de reconhecer que o que quer que façam será sempre interesse dos
mesmos. Conforme afirma Hegel na “Enciclopédia das Ciências Filosóficas”
a filosofia tem como conteúdo a realidade da qual ela não pode pretender
existir separadamente sob o preço de se tornar um juízo abstrato no qual tudo
cabe e tudo pode ser dito, pois a realidade passa a ser tão somente uma contingência.[11]
A identificação entre o pensar e o ser se mostra na relação entre a
filosofia e o mundo que é, segundo Hegel, temida por muitos, pois temem com
isso diminuir a filosofia ou condicioná-la. Para Hegel, a identificação é o
critério único para demonstrar que a filosofia não se reduz a quimeras sobre
o mundo e que este não é o campo do incompreensível. A filosofia não
trabalha com um mundo dado, mas que se põe e, está ao alcance da filosofia,
expor os motivos de um dado mundo posto.
[1] Comunicação apresentada no II Congresso Internacional de Filosofia da Sociedade Hegel Brasileira com o apoio financeiro da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp – Fundunesp.
[2] Professor Assistente Doutor do Departamento de Educação do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu, 18610000 – Botucatu – SP, 14 – 38116232.
[3]
Dokumente zu Hegels Entwicklung. Herausg. Von J. Hoffmeister. Bad Cannstatt:
Stuttgart, 1974, S.360.
[4]
J. Habermas. Der philosophische Diskurs der Moderne. Frankfurt am Main,
1985, S.65.
[5]
G.W.F. Hegel. Grundlinien der Philosophie des Rechts. Werke in 20 Bänden.
Red. Eva Moldenhauer und Karl Markus Michel. Frakfurt am nain: Suhrkamp,
1970, § 153.
[6]
Dokumente zur Hegels Entwicklung. S.369.
[7] G.W.F. Hegel. Bd. 7, S.26 Vorrede.
[8]
Hegels theologische Jungendschriften nach der Handschriften der Kgl.
Bibliotek in Berlin. Herausg. Von
H. Nohl, Franfurt am Main, 1991, S.429.
[9] G.W.F. Hegel. Bd. 7, S.24, Vorrede.
[10] G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Trad. Paulo Meneses. Vozes: Petrópolis, 1992, p.23.
[11]
G.W.F. Hegel. Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaft. Werke in 20 Bänden.
Herausg. Von Eva Moldenhauer und Karl Markus Michel. Frankfurt am Main:
Suhrkamp, 1970, § 6.